Mulheres, inovação e habitação popular: caminhos para um futuro mais inclusivo na construção civil
@Secovi-PE - 11/11/2025
E se houvesse uma maneira de unir economia e soluções sociais em prol da habitação popular? Existe algum jeito de reduzir o número de desabrigados utilizando soluções baratas, inteligentes e inovadoras? Quem esteve presente no 22º Congresso Nacional do Mercado Imobiliário (Conami) e acompanhou a palestra ‘Cenários da Indústria Imobiliária Nacional’, de Elisa Rosenthal, diretora presidente do Instituto Mulheres do Imobiliário, ficou sabendo que sim, há soluções muito criativas para esta questão.
A palestrante, eleita a mulher mais influente do Brasil no mercado imobiliário, trouxe à tona o tema do déficit habitacional no país. Segundo ela, cerca de 6 milhões de brasileiros não tem onde morar. O quantitativo é aproximadamente igual à população da Noruega. A especialista comenta que, dentro deste problema – o de existir um quantitativo equivalente ao de um país inteiro sem acesso a habitação dentro do Brasil – há uma demanda de mercado enorme. Porém, ela defende a inovação na exploração deste vácuo: “Com métodos tradicionais, levaríamos décadas, talvez gerações.”
De acordo com dados do Fórum Econômico Mundial, o setor imobiliário lidera o ranking dos ‘setores’ com maior dificuldade em contratar. Entre as causas apontadas pela organização, estão falta de habilidades digitais; pouca familiaridade com dados e tecnologia; e defasagem de soft skills como liderança. Rosenthal analisa a escassez da mão de obra e opina que os canteiros têm esvaziado com o crescimento de outras tendências de mercado, a exemplo da uberização. Para ela, corridas por aplicativos e sites de apostas tem sido mais atraentes para uma parcela da população. Isto porque oferecem mais flexibilidade de horários, menos exposição física, ganhos similares, além da realização do desejo ‘trabalhar por conta própria’, tópico muito importante para alguns trabalhadores.
A especialista vislumbra uma possibilidade em meio ao caos: a contratação de mulheres para os canteiros de obras. Este é um cenário que já vem se tornando realidade, “muitos canteiros hoje já possuem a carreira feminina com muito mais força”. Ela opina que determinadas qualidades femininas têm colocado as mulheres em condição de prioridade em determinadas etapas das obras: “já existem muitas equipes de pós-obra 100% femininas, pela atenção aos detalhes, pela preocupação com o refino”, comenta. Para ela, deixar as mulheres de fora deste espaço é abrir mão de comprometimento e de capacidade técnica.
Ela falou sobre como este movimento pode ser acompanhado pelo setor, exemplificando a partir de capacitações realizadas pelo Instituto Mulheres do Imobiliário. Ela opina que a união entre os setores público e privado pode fazer a diferença, “fizemos uma oficina com o objetivo de capacitar mulheres para trabalharem em obras do Governo do Estado. Podemos oferecer capacitação em conjunto para oferecer mais de mão de obras para o nosso mercado, inserindo as mulheres no setor.
Além da inserção das mulheres em novas posições nas obras de construção civil, Rosenthal defende um aprimoramento da industrialização brasileira. Segundo a especialista, menos de 5% das construções brasileiras são industrializadas. “O Brasil tem um tamanho potencial enorme, com commodites como madeira e minério, além de parques industriais robustos, universidades e o Instituto de Pesquisas Tecnológicas. Tudo que um país precisa para se desenvolver”, complementa.
A palestrante mostrou como a empresa Alea, fundada por Roberto Justus, tem utilizado técnicas inovadoras para construir moradia de forma rápida e barata. Casas em estilo “Wood Frame”, por exemplo, são construídas em apenas 36 minutos pela startup. Ela também apresentou as residências “Steel Frame”, que, ao invés da alvenaria e da betoneira, o sistema se faz valer de estruturas de aço prontas e a promessa de um sistema mais ecológico, rápido e eficiente.
Para ela, porém, o investimento nessas novas tecnologias esbarra em crenças limitantes do povo brasileiro enquanto nação. “A gente cresceu aprendendo que se o lobo mau assoprar, ele vai quebrar as casas de madeira. As novas tecnologias são duráveis, sustentáveis, mais eficientes e tem mais qualidade na entrega. Além disso, a industrialização gera menos entulho para um mercado que é um dos mais poluentes do mundo.”
Por fim, Elisa Rosenthal relata que o espírito de competitividade não pode estar acima da valorização de boas ideias no mercado imobiliário. “O setor só vai crescer diante de uma competição honesta, capaz de olhar para uma ideia de um concorrente e dizer: ‘que bacana que ele foi lá e propôs uma tecnologia que o Brasil não tinha antes’”, explica. Ela conclui referenciando uma frase posta em um quadro na parede de sua residência, “não adianta competir comigo porque eu também quero que você ganhe".
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