Painel jurídico do 22º Conami abordou temas polêmicos atuais no Condomínio Edilício
@Secovi-PE - 19/11/2025
O primeiro painel realizado dentro da programação do 22º Conami trouxe à tona um debate fundamental sobre temas polêmicos acerca do Condomínio Edilício. Mediado por Marcelo Borges, diretor de Condomínio e Locação da ABADI, o painel reuniu Márcio Miranda, coordenador jurídico do Secovi-PE; Moira Toledo, presidente da Rede Avançada de Locação (RAL) e vice-presidente do Secovi-SP; e Rubens Carmo Elias Filho, secretário do Conselho Deliberativo da AABIC e editor da Revista IBRADIM de Direito Imobiliário, com o objetivo de discutir duas pautas que refletem a adaptação desafiadora dos condomínios na relação entre gestores e moradores. Foram elas: instalação de estações de recarga para veículos elétricos e híbridos e a locação de curta temporada, impulsionada por plataformas digitais.
Marcelo Borges iniciou a conversa ressaltando que os dois temas ainda carecem de legislações específicas na jurisprudência, o que torna a discussão, em sua maior parte, propositiva. “Temos aqui a ousadia de tecer considerações, tanto nossas opiniões, como experiências que estamos vivendo na prática para apresentarmos nossas soluções”, afirmou. O primeiro tema abordado foi a instalação de estações de recarga para veículos elétricos e híbridos, questão cada vez mais presente na realidade dos condomínios. O crescimento do setor, com mais de 500 mil veículos elétricos e híbridos atualmente em circulação, acumula, de acordo com Marcelo, uma expectativa de chegar a 1 milhão até o fim do ano. Ele ainda provocou o debate ao questionar os demais integrantes do painel como os síndicos devem agir diante de pedidos de moradores para instalação dos equipamentos.
Rubens Carmo Elias destacou que o grande desafio está na infraestrutura antiga de muitos condomínios e na definição de responsabilidades. “A gente tem que ter um olhar voltado a quem cabe resolver e a quem cabe pagar essa conta. Se eu tenho um único condômino interessado e o condomínio tem condições, vamos avaliar a intervenção comum, o aprimoramento das instalações elétricas. Nunca é uma decisão individual”, explicou. Ele reforçou que, acima de tudo, a segurança e a deliberação coletiva devem guiar o processo: “No final do dia, estamos falando de segurança”.
Moira Toledo complementou que o tema vai além de uma tendência tecnológica, sendo impulsionado pelo desejo social. “Não adianta levantar bandeiras dizendo que não. Dentro dessa dinâmica, é preciso entender qual a realidade do condomínio, fazer um estudo de viabilidade e construir soluções que permitam um dimensionamento de carga adequado”, disse. Ela defendeu que o processo seja gradual, partindo de uma assembleia inicial até a implementação completa, conforme a capacidade de cada condomínio.
Marcelo complementou o debate com casos recentes do Rio de Janeiro e de Recife que exemplificam a complexidade jurídica do tema, culminando em decisões que exigiram quóruns qualificados e até intervenção judicial por falta de assembleia. Márcio observou que há projetos de lei em tramitação em diversos estados, mas ainda sem diálogo entre si. “O poder judiciário está tentando se manifestar. Acho que não há necessidade de inflar a situação a ponto de convocar uma assembleia para algo que já tem base na legislação condominial”, ponderou. Para ele, a convenção do condomínio deve estabelecer o regramento adequado, o que evita conflitos extensos que venham a exigir ações judiciais.
Encerrando o primeiro eixo de debates, Marcelo questionou sobre os limites da soberania da assembleia diante de um morador que cumpre todas as normas técnicas para instalação. Rubens respondeu que, embora as decisões possam impactar a longo prazo o próprio futuro do edifício, a assembleia e a recusa coletiva são soberanas. “No futuro, esse prédio vai ter desvalorização, não vai ser procurado, não vai se atualizar como espera. Mas não há como discutir de maneira adversa à assembleia. A questão jurídica se coloca em dimensão menor do que a técnica”, pontuou.
O segundo tema do painel abordou um fenômeno cada vez mais recorrente nas cidades: a locação de curta temporada, impulsionada por plataformas digitais. Marcelo introduziu o debate lembrando que, desde 2021, o Superior Tribunal de Justiça tem reconhecido que condomínios residenciais podem proibir esse tipo de hospedagem, e levantou o questionamento sobre a correção e os limites dessas decisões.
Moira Toledo explicou que é essencial compreender o contrato que regula essas práticas, pois as plataformas abrigam desde hospedagens tradicionais até experiências mais efêmeras. “A meu ver, esse contrato de diária não é nem locação tradicional e nem hospedagem típica. Me parece lícito e parece lícito para o STJ, mas é algo diferente”, afirmou. Segundo ela, o direito deve acompanhar as transformações sociais, e o desafio está em equilibrar a liberdade contratual com a segurança e a estabilidade que caracterizam o ambiente residencial. “O STJ vai bem ao permitir que o condomínio proíba, porque a questão de segurança é central”, completou.
Marcelo voltou a provocar o painel, e questionou Márcio sobre os limites da criação de normas internas nos condomínios. Os demais participantes do painel finalizaram a discussão ponderando as possibilidades de restringir o número de hóspedes, o tempo de locação e outras possíveis regras inerentes ao condomínio.
Outras notícias
-
23/01/2026
Demandas de janeiro intensificam busca da mídia por orientações do Secovi-PE -
22/01/2026
Resultado de Dezembro da pesquisa Perfil de Imóveis Usados é apresentado no Secovi-PE -
21/01/2026
Cresce protagonismo feminino no mercado imobiliário. Planejamento da carreira e mais investimentos em estudos podem ser diferencial -
19/01/2026
Posso proibir que o condômino inadimplente use as áreas comuns? -
15/01/2026
Energia mais leve para as contas dos condomínios em janeiro de 2026 -
14/01/2026
Secovi-PE lança agenda de cursos para primeiro semestre do ano -
13/01/2026
Formalizada nova Tabela Salarial para 2026 -
12/01/2026
“Legados do 22º Conami” aborda o futuro da construção civil e os desafios para seu avanço no país -
30/12/2025
Diretor de Condomínios do Secovi-PE fala sobre período de festas em entrevista ao portal LeiaJá
31/08/2022
31/08/2022
30/08/2022
30/08/2022
26/08/2022
16/08/2022