Gustavo Zanotto fala sobre inovação e o papel do empreendedor no desenvolvimento das cidades
@Secovi-PE - 27/11/2025
“A verdadeira inovação não está em promessas futuras, mas nas decisões e riscos assumidos hoje”. A frase de Gustavo Zanotto, cofundador do PropTalks e um dos maiores influenciadores do setor na América Latina, Gustavo Zanotto, foi colocada por ele durante a sua participação no 22º Congresso Nacional do Mercado Imobiliário – Conami, realizado pelo Secovi-PE nos dias 29 e 30 de outubro. Com ela, o especialista fez um convite à atenção do público, que permaneceu focado na palestra “Da tradição à Inovação – Desvendando os desafios e tendências do setor imobiliário”. Para Zanotto, é indispensável aprender com o que há de novo e saber o que está acontecendo de novo.
O especialista destaca que a verdadeira inovação não está em promessas futuras, mas nas decisões e riscos assumidos hoje. “Inovação se faz no presente. É com a tomada de risco que a mudança acontece”, afirmou, abrindo a palestra com um chamado à ação. Zanotto também apontou que o caráter de consumo mudou, as ferramentas mudaram e, com isso, a forma como as pessoas se relacionam com a moradia também se transformou. O imóvel deixou de ser apenas um bem de posse e passou a ter valor de uso contínuo, em que o usuário se torna também um investidor.
Dentro de sua perspectiva, esse novo olhar desafia os incorporadores a repensarem seus papéis: mais do que construir, é preciso criar soluções que agreguem serviços ao consumidor e impulsionem o desenvolvimento das cidades. “As pessoas querem produtos atemporais. A pergunta é: como o seu empreendimento agrega serviço ao consumidor e desenvolve a cidade?”, reflete.
Zanotto ressalta que a experiência acumulada é importante, mas o modelo mental do passado não garante o sucesso do futuro. “O que te trouxe até aqui não necessariamente vai continuar te levando adiante”, alertou. Ele explicou que a repetição pode ser uma força de liderança e assertividade, desde que seja uma repetição criativa, voltada à adaptação. “A questão é: que tipo de repetição você vai fazer para a próxima década?”, provocou.
Ao falar sobre a transformação tecnológica, Zanotto destacou o papel da robotização da indústria como aliada da produtividade e da requalificação profissional. Segundo ele, a automação pode acelerar entregas, mas também é imprescindível reorganizar as funções humanas e permitir que pessoas deslocadas dessas atividades encontrem novos papéis. “Se está todo mundo querendo virar influenciador, onde está a mão de obra no canteiro? A robotização vem como resposta. E as pessoas substituídas podem ser qualificadas e realocadas, é um novo endereçamento funcional”, explicou.
Para Zanotto, ser tradicional não é, diretamente, um obstáculo à inovação. O problema é permanecer preso a esse tradicionalismo. “Ser tradicional não me impede de ser inovador, mas ser sempre tradicional me impede de enxergar o futuro”, disse. Dentro dessa trilha pela inovação, ele reforçou que o mercado deve buscar soluções que conciliam conforto, mobilidade e segurança urbana. Ele citou o conceito de walkability e liftability, em que produtos e empreendimentos favorecem a locomoção a pé e resolução de questões cotidianas de fácil acesso, o que pressupõe uma vida mais integrada à cidade, mas alertou que isso só é possível se houver um compromisso com o bem comum. “As cidades precisam de segurança. Não é apenas sobre resolver o nosso problema, mas o problema dos outros também”, pondera. Nesse sentido, ele aponta que desenvolver a cidade é desenvolver o mercado.
Entre as tendências emergentes, Zanotto destaca o sênior/geracional living, voltado à população 65+, que cresce de forma acelerada e demanda soluções específicas de moradia e bem-estar. Segundo ele, compreender essa transição demográfica é essencial para que o setor acompanhe o ritmo das mudanças sociais. No 22º Conami, abordou a crescente popularidade dos produtos por assinatura, mas alertou que nem toda inovação desse tipo se aplica ao mercado imobiliário. “Nem todo produto de assinatura é para o setor imobiliário, e nem todo produto imobiliário precisa ser de assinatura. É preciso entender o contexto e o público antes de transformar tudo em modelo de recorrência”, colocou.
Na ocasião, Zanotto ainda lançou um alerta sobre o automatismo das decisões no setor: “A gente parou de pensar e está seguindo uma esteira de erros.” Sua mensagem final, na palestra, foi um novo convite, desta vez à consciência e à ação. Para ele, inovar é pensar o agora com propósito, coragem e senso de coletividade. “O futuro é feito das escolhas que fazemos hoje. Se o mercado quer evoluir, precisa parar de repetir por conforto e começar a criar por convicção”.
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